Na busca por soluções, a possibilidade de autonomia

Jovens do Colégio Bandeirantes e da EMEF Eduardo Vaz Doutor cocriam soluções para programa escola da família em Embu das Artes. Conheça o projeto Solução!


Aprendizado
e inovação têm a ver com autonomia. É a partir dela que surge o poder de criação, de se propor ou transformar algo. Autonomia essa que se constrói a partir da valorização e respeito pela trajetória e conhecimento de cada indivíduo. E quando se unem diferentes autonomias com um propósito comum, acontece a tal da cocriação. O projeto Solução é mais ou menos sobre isso. 😉

Idealizado em 2016 por estudantes do Colégio Bandeirantes, que sentiam a necessidade de propor (e viver) ações de impacto social, fora da bolha e com espírito empreendedor, o projeto Solução reúne jovens do Band e de outras instituições escolares para aprender uma metodologia e colocar em prática, JUNTOS, ideias para resolver problemas de uma determinada comunidade.

Em 2019, graças a uma parceria com o Instituto Jatobás, via apoio metodológico da Rede-Comunidade de Inovação Social, e com a organização Reflexões da Liberdade, o projeto Solução chega à EE Eduardo Vaz Doutor, localizada em Embu das Artes.

“Além da troca de experiências entre os jovens de diferentes realidades, o Projeto Solução traz inovação na própria forma como se estrutura. Ao reunir três organizações de naturezas e segmentos distintos, gera conexão e trabalho em rede – colab cada vez mais necessário para a geração de soluções que impactem socialmente”.

Ivani Tristan, líder da Rede-Comunidade.
Encontro de ideação realizado no Colégio Bandeirantes / Foto: Jéssica Santana

“Após um encontro com os alunos da Eduardo Vaz lá em Embu, e após conhecer a comunidade do entorno da escola, entendemos juntos que o nosso desafio tem a ver com a formação de público para o Escola da Família (programa que abre as portas das escolas estaduais aos finais de semana para que a comunidade ocupe e proponha atividades de lazer e cultura). Percebemos que existe espaço e verba, mas não tem ninguém que articule as atividades. Então pesquisamos e estamos pensando em soluções para que as pessoas da comunidade frequentem e proponham atividades de ocupação da escola”, conta Luiza Martinoli, aluna do Band.

Na busca por soluções que transformem a escola Eduardo Vaz, os jovens passaram por encontros, onde, orientados pela Rede-Comunidade, puderam experimentar a metodologia do design centrado no ser humano (Design Thinking): definição do desafio (entendimento do problema), pesquisa de empatia, com entrevistas com pessoas do entorno da EMEF (público-alvo), ideação para gerar soluções e muita troca.

Alunas do Band e da EE Eduardo Vaz durante pesquisa de empatia com moradores do entorno da escola. / Foto: Jéssica Santana

“Fazer as entrevistas foi um processo muito legal. Conhecemos histórias de diferentes  pessoas do bairro. Pessoas que a gente nunca tinha visto ou falado, mas que são do nosso território. Só assim, entendemos os interesses dessas pessoas, que são nosso  público-alvo, além de entender outras realidades e necessidades”.

Letícia Rafaela, aluna da EE Eduardo Vaz Doutor.

Juliana Rodrigues, da equipe da Rede-Comunidade, explica que o processo do design thinking fortalece o espírito empreendedor, melhora a habilidade de trabalho em equipe e colaboração, desperta a criatividade, cria um ambiente sem julgamentos, trabalha a liderança, persistência e comprometimento.

“A metodologia trouxe contribuições importantes para o projeto. Além da mudança de comportamento, sentimento de protagonismo e benefícios para a região da EE, a mais interessante delas é, sem dúvida, a interação e troca de conhecimento entre os jovens de diferentes realidades”, analisa.

Alunas da EE Eduardo Vaz e do Banda cocriam soluções. / Foto: Jéssica Santana

Letícia concorda: “O contraste que existe entre a minha escola e o Band é muito grande. O projeto trouxe a possibilidade de vermos os dois lados e descobrir um outro mundo. É praticamente um novo mundo, porque a gente está acostumado com o nosso ali de cada dia, com os nossos problemas, e esquecemos que existem os outros pontos de vistas”. Marina Brito, aluna do Band, completa: Esse projeto é também uma forma da gente do Band sair da caixinha, sair da bolha”.

“São dois mundos, desde o contexto de vida, família, trajetória, oportunidades etc, até como se apropriam do conhecimento. O que percebemos é que de um lado existe uma autonomia muito grande e de outro uma falta de controle e uma espera muito grande.”

Emerson Ferreira, idealizador do Reflexões da Liberdade.
Encontro de capacitação realizado em Embu das Artes na sede do Reflexões da Liberdade. Foto: Selfie 😉

Mais do que encontrar soluções para transformar a realidade do território, os jovens puderam vivenciar a autonomia de poder agir, ir atrás, propor. É aí que a mediação do Reflexões da Liberdade entra.

Emerson explica que além da parte de mobilização dos jovens em Embu, existe um trabalho fino e pé no chão de escuta e fortalecimento do sentimento de autoestima e autonomia.“Não vendemos a ilusão de que vai ser fácil. Conhecemos a realidade desses jovens. Sabemos como são as famílias, as casas, o bairro onde vivem, as escolas onde estudam. Mas a ideia é mostrar que eles também podem ser os criadores da própria realidade – deixando de ser apenas aqueles que identificam os erros e desestruturações na sociedade e se transformando naqueles que solucionam tais problemas”.

Jovens participantes do Projeto Solução 2019. / Foto: Jéssica Santana

“O projeto Solução tem começo, meio e fim, mas o que eu vejo é que jovens que passam por iniciativas como essa, ativam ou reativam o desejo de sonhar com algo diferente. E esse sonho vem justamente da troca de experiência, porque quando saímos do nosso território e circulamos, trazemos outras referências e ampliamos nosso campo de visão”, finaliza.

>> Acompanhe mais notícias sobre o projeto em breve. 😉

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